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A bebida que acompanha a pizza também está mudando

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Durante muito tempo, pensar em bebidas para uma pizzaria significava montar um mix relativamente previsível: cerveja, refrigerante, água e algumas opções de suco. Esse cenário começa a ganhar novas possibilidades à medida que o consumidor passa a buscar alternativas que conciliem socialização, sabor e diferentes níveis de consumo de álcool.

O movimento já aparece nos números. Segundo levantamento da Neogrid, a participação das cervejas sem álcool no volume total de cervejas consumidas no Brasil passou de 2,5% em 2024 para 3,9% em 2026. No mesmo período, a presença da categoria nos carrinhos de compra subiu de 4,4% para 5,6%, enquanto o tíquete médio das compras de cerveja sem álcool avançou mais de 20%.

Não é apenas uma questão de cerveja sem álcool. A indústria vem ampliando a oferta de bebidas com menos álcool, menos calorias, sem glúten e outros atributos associados a escolhas consideradas mais equilibradas.

No primeiro semestre de 2026, o portfólio da Heineken que reúne bebidas com menos álcool, menos calorias ou sem glúten cresceu mais de 50% em vendas na comparação com o mesmo período de 2025, enquanto o negócio tradicional da companhia avançou em ritmo de um dígito. A empresa criou a plataforma +Equilíbrio para organizar esse portfólio e pretende levar a iniciativa a mais de 150 pontos de venda em dez estados até o fim do ano, incluindo bares e restaurantes.

Um dos lançamentos que acompanha esse movimento é a Heineken Ultimate, apresentada no Brasil com 3,5% de teor alcoólico e 30% menos calorias que a versão regular. A marca também destaca a ausência de glúten no produto.

A cerveja continua importante

Isso não significa que a cerveja tradicional esteja perdendo seu papel nas pizzarias.

Pelo contrário. Dados do Instituto Foodservice Brasil mostram que a categoria movimentou cerca de R$ 13 bilhões no consumo fora do lar nos 12 meses encerrados em junho de 2026, alta de 17% em valor sobre o período anterior. Ao mesmo tempo, o número de transações caiu 3%, indicando um cenário em que o faturamento cresce mesmo com menos ocasiões de compra. As refeições noturnas concentram 60% do consumo da bebida.

A questão, portanto, não é substituir a cerveja que já funciona no negócio. É entender se existe espaço para ampliar o mix.

O que isso muda para uma pizzaria?

A pizza já carrega uma forte associação com momentos de compartilhamento. É jantar em família, encontro com amigos, assistir a um jogo ou simplesmente pedir algo para comer em casa. A bebida participa dessa ocasião e pode assumir papéis diferentes dependendo do cliente.

Uma pessoa pode querer uma cerveja tradicional. Outra pode preferir uma versão sem álcool. Há também quem esteja reduzindo o consumo de álcool, alternando cerveja com outras bebidas ou procurando opções com menos calorias.

Para a pizzaria, isso transforma a carta de bebidas em uma oportunidade de observar o comportamento do próprio público.

Em vez de simplesmente adicionar dezenas de rótulos ao cardápio, uma operação pode começar com alguns testes: uma cerveja sem álcool, uma opção de menor teor alcoólico, refrigerantes zero, bebidas funcionais ou combinações específicas para determinados sabores de pizza.

O importante é acompanhar o giro.

Se uma nova bebida vende pouco, talvez ela não tenha espaço naquele público. Se começa a aparecer com frequência nos pedidos, pode existir uma oportunidade de ampliar a categoria, criar combos ou até desenvolver uma comunicação específica para ela.

A mudança pode estar no mix, não na substituição

O crescimento das alternativas de menor teor alcoólico e sem álcool mostra que existem novas ocasiões de consumo sendo disputadas pela indústria. Mas os números do foodservice também deixam claro que a cerveja continua sendo uma categoria relevante para bares e restaurantes.

Para a pizzaria, a resposta não precisa ser escolher entre o tradicional e o novo.

Pode ser oferecer os dois.

Um cardápio de bebidas mais atento às diferentes preferências do consumidor pode ajudar a operação a capturar pedidos que antes simplesmente não aconteciam — sem transformar uma tendência em obrigação.

No fim, a pergunta talvez seja menos “qual bebida está na moda?” e mais “quais bebidas o meu cliente gostaria de encontrar quando pede uma pizza?”

É essa resposta, acompanhada pelos dados de venda da própria operação, que deve orientar o próximo item do cardápio.