O foodservice brasileiro está passando por uma mudança que vai além do crescimento do número de estabelecimentos. O setor começa a apresentar sinais mais claros de profissionalização, expansão para fora dos grandes centros e maior utilização de tecnologia como ferramenta de gestão.
Um levantamento realizado pela ABIA em parceria com a Wise Sales mostra que mais de 420 mil novas empresas foram abertas no foodservice brasileiro em 2025. O estudo também aponta uma aceleração da migração de negócios enquadrados como MEI para estruturas empresariais mais robustas e uma interiorização do mercado.
A transformação é relevante porque ajuda a explicar uma mudança na composição do próprio setor. O foodservice brasileiro deixa de ser analisado apenas a partir dos grandes grupos, redes nacionais e restaurantes concentrados nas capitais e passa a incorporar uma quantidade cada vez maior de negócios estruturados em cidades médias e no interior.
Essa expansão também aumenta a complexidade do mercado.
À medida que o negócio cresce, decisões que antes podiam ser tomadas de maneira intuitiva começam a exigir informação. Compras, formação de preços, mix de produtos, localização, expansão, gestão de estoque, relacionamento com clientes e desempenho das unidades passam a depender de dados mais precisos.
É nesse ponto que a tecnologia ganha importância.
O movimento observado no Brasil acompanha uma transformação que já acontece em mercados mais maduros: sistemas de gestão, inteligência de mercado, automação e ferramentas de análise deixam de ser vistos apenas como recursos para grandes redes e passam a fazer parte da infraestrutura necessária para administrar operações mais complexas.
Nos Estados Unidos, por exemplo, pesquisas recentes com operadores mostram que o investimento em tecnologia está migrando para áreas de bastidor, como ponto de venda, estoque e gestão operacional. A lógica é menos relacionada a adicionar ferramentas ao restaurante e mais ligada a fazer com que sistemas diferentes trabalhem juntos e produzam retorno mensurável.
No Brasil, essa mudança pode ser particularmente importante.
O crescimento descentralizado do foodservice significa que fabricantes, distribuidores e fornecedores também precisam entender onde estão surgindo novos polos de consumo e quais categorias estão ganhando espaço. Para o restaurante, significa ter acesso a ferramentas capazes de transformar informações dispersas em decisões comerciais.
A profissionalização, portanto, não acontece apenas dentro da cozinha ou no salão. Ela também acontece na forma como o negócio conhece seu mercado.
O dado mais interessante desse movimento talvez esteja justamente aí: o próximo ciclo de crescimento do foodservice brasileiro pode não ser definido apenas por quantos restaurantes serão abertos, mas por quantos deles conseguirão transformar escala em gestão.
Com mais empresas, mais cidades participando desse mercado e maior disponibilidade de tecnologia, o foodservice brasileiro começa a entrar em uma fase em que informação passa a ser tão importante quanto ponto comercial, produto e atendimento.


