A Nova Rotina do Delivery: Em Quais Momentos (e Por Que) Pedimos Comida?
O mercado de food service e varejo digital já passou da fase de ser apenas uma conveniência para o fim de semana. Hoje, ele é uma extensão da nossa gestão de tempo. Se antes o foco era "o que" as pessoas estavam comprando, o cenário mudou drasticamente.
Patricia Galasini
12/9/20253 min read


A pergunta agora é: em quais momentos do dia elas estão fazendo isso — e por quê?
Nesta edição, mergulhamos nos dados mais recentes para entender como a tecnologia deixou de ser apenas um canal de vendas para se tornar um organizador da vida doméstica. Abaixo, analisamos 6 categorias que revelam como o delivery está reformulando a rotina.
O que você verá nesta análise:
Temperos crescem — e isso não é acaso;
Confeitaria e lácteos desafiam a lógica — quando o digital entrega o artesanal;
Prontos para comer reinam (mas por quanto tempo?) — a segurança dos clássicos italianos e asiáticos;
Café da manhã é 45% do prontos para comer — e isso muda tudo.
1. Temperos Crescem: O Renascimento da Cozinha Caseira
Pode parecer contraditório: se o delivery cresce, as pessoas cozinham menos, certo? Errado. Um dos dados mais fascinantes do comportamento atual é o aumento na categoria de temperos e condimentos via delivery.
Isso não é acaso. Esse crescimento sinaliza um consumidor híbrido. Ele não quer apenas a comida pronta; ele quer a experiência de cozinhar, mas sem a fricção de ir ao supermercado buscar aquele ingrediente exótico que falta. O delivery de temperos atende ao desejo de personalização e saúde, permitindo que o cliente dê seu toque final, mesmo em uma rotina corrida.
2. Confeitaria e Lácteos: O Digital Entregando o Artesanal
Durante muito tempo, acreditou-se que categorias sensíveis, como doces finos de confeitaria e lácteos frescos, enfrentariam barreiras logísticas intransponíveis no digital. Confeitaria e lácteos desafiam a lógica atual ao mostrarem taxas de crescimento expressivas.
O motivo? A "recompensa imediata". O pedido de um doce no meio da tarde ou de um iogurte especial para o lanche não é sobre nutrição básica; é sobre indulgência e conforto emocional durante o expediente (muitas vezes remoto). Quando a logística consegue entregar o produto intacto, a barreira de confiança é quebrada, transformando o pedido ocasional em hábito diário.
3. Prontos para Comer e a Segurança dos Clássicos
Ainda que novas categorias surjam, as refeições completas (Prontos para comer) continuam reinando no volume total. No entanto, a questão é: por quanto tempo manterão essa hegemonia sem inovação?
O que vemos hoje é uma busca por segurança. Em tempos de incerteza ou cansaço mental, o consumidor aposta no que conhece. É aqui que vemos a segurança dos clássicos italianos e asiáticos. Pizza, massas, sushi e yakisoba não são apenas populares pelo sabor, mas pela previsibilidade. O cliente sabe exatamente o que vai chegar. São as "âncoras" de estabilidade no cardápio do delivery.
4. O Grande Insight: A Revolução do Café da Manhã
Se você precisa levar apenas um dado desta leitura, que seja este: Café da manhã é 45% do 'prontos para comer' — e isso muda tudo.
Historicamente, o jantar era o prime time do delivery. O crescimento explosivo dos pedidos matinais indica uma mudança estrutural na rotina de trabalho. Com reuniões começando cedo e a vida urbana cada vez mais caótica, as pessoas estão terceirizando a primeira refeição do dia.
Isso abre uma avenida gigantesca de oportunidades para padarias, cafeterias e até redes de fast-food que, até então, focavam seus esforços de marketing no almoço ou jantar. Quem dominar a logística rápida da manhã (o café que chega quente e o pão que chega fresco) terá a fidelidade do cliente pelo resto do dia.
Conclusão: Tecnologia e Praticidade
Ao analisarmos essas categorias, fica claro que não estamos vendo apenas gráficos de vendas, mas um espelho da sociedade moderna. O delivery deixou de ser "luxo" para ser "logística pessoal".
Seja para comprar o orégano que faltou, o doce que conforta ou o café que desperta, o consumidor está usando a tecnologia para comprar o ativo mais valioso de todos: tempo. As empresas que entenderem o "porquê" por trás de cada momento de consumo serão as que liderarão o mercado nos próximos anos.
Fonte - RG Think Food
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